Naquela noite eu dormi como um anjo.
Não fazia nem idéia se aquilo foi apenas um beijo, ou se teria alguma continuidade. Mas queria pagar para ver. Queria muito. Demorei alguns dias para aparecer na escola dele, para entrar no msn, para dar sinal de vida.
Certo dia cheguei do nada no Fliperama, segunda casa dele, e o vi dançando PUMP. Ao cumprimentá-lo fui recebida com frieza. Motivo? N. A namorada dele, que nunca chegou a ser ex. Ao perceber senti vontade de desaparecer. Para o espanto dele, ela, nada íntima minha, me tratou como se fôssemos amigas de infância. Me chamou para comprar pipoca doce no mercado e eu fui, para tentar tirar alguma informação sobre os dois, é claro, sem deixar que minha intenção transparecesse.
Quando ele nos viu voltando, rindo e tagarelando, fez uma cara de assustado que até hoje, não presenciei novamente. A mãe dela estava chegando para buscá-la e ele pediu para que eu esperasse. Se despediram com um selinho, na minha frente. Após, me mandou um tchauzinho com a mão direita e entrou no carro. Ingênua, nem imaginava que eu estava destruindo o seu tão adorado namoro. Não que fosse algo proposital, pois até então aos meus olhos ele era solteiro. Mas que ja havia acontecido e eu não voltaria atrás.
Dependendo do que se trata, nunca volto atrás. É como um jogo de xadrez. O jogador que não prossegue com sua jogada e para escapar a desfaz, é julgado de maneira negativa pelo adversário e platéia. Não desejo ser vista assim, portanto, não faço por onde terem motivos.
Ele me levou até perto de casa nesse dia. Me deu mil e uma explicações. Não acreditei em nenhuma, mas também não disse isso á ele, disse apenas que o esperaria, já que ele pensava em terminar seu namoro.
Mais tarde, no msn, decidimos faltar na aula e passarmos a manhã juntos para conversar e nos conhecermos decentemente, fora da saída da escola, da Pump e do msn. Ele se atrasou, sem exageros, quase 2 horas. A tonta, perdendo aula, com sono, toda arrumadinha, esperou, com o fone no último volume ouvindo Fresno e o olhar perdido pelos cantos, inquieto.
Sentada no coreto, com a mochila vázia, o celular na mão esperando alguma ligação ou mensagem. E nada. O arrependimento tomando conta da consciência. Decidindo ir embora, para qualquer lugar fora dali, ele chega, com uma touquinha kawaii, de orelhas com fundo rosa. Sinto falta daquela touca. Levanto os olhos, ele se desculpa, senta, e eu desligo a música. Silêncio no meio de tanto assunto querendo explodir. Se ouve os garis varrendo as folhas do chão, as lojas abrindo, os passarinhos cantando, o vento soprando forte, conversas passageiras por pessoas indo trabalhar, mas nem sinal da voz um do outro. Eu decido falar. Puxo a conversa, ignorando o atraso e sua falta de manifestação. Não demorou muito para outro beijo, para minhas mãos suarem, o tremor nas pernas impedindo qualquer movimentação, o frio na barriga, a mente se desapegando de qualquer pensamento, os olhos fechados e a mão dele acariciando meu rosto como se fosse uma pena... suave, com um toque carinhoso. Não sei quanto tempo durou, mas o tempo não passava mesmo com o relógio correndo sem dó daquele casal. Nos afastamos, abri os olhos devagarinho. Era como se eu tivesse acordado, só que da realidade. Entrei num sonho. O beijo dele me levava para este mundo desconhecido, cheio de mágica. Era como se ele pegasse na minha mão e dissesse: Vem! E eu fosse, despreocupada, sorrindo, encontrando ao decorrer do caminho coisas novas.
Cada detalhe dele, cada gesto, cada coisinha, me atraía. E era tão forte que em pouco tempo me vi completamente apaixonada. Hoje em dia não sei explicar de fato o que me fez amá-lo tanto. Mas naquela época tudo era motivo para eu me apegar.
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