Essa aventura de ser a outra e ficar com ele escondido durou aproximadamente 2 meses.
Ele não agradava muito minha mãe. Ela gostava muito dele, o problema não era questão de afinidade, mas ela achava que nós não combinávamos. E foi um sufoco para conseguirmos a aceitação de nosso namoro. Creio que ela tinha receio de me ver deprimida por amor novamente. Coisa que aconteceu, mas isso não vem ao caso nesse momento.
Foi a primeira vez que ele pediu uma garota em namoro para os pais. E foi a primeira vez que um garoto me pedia em namoro para meus pais.
Sentados no sofá, ele começou a falar, nós estávamos de mãos dadas, minha mãe com um sentimento estranho deixando transparecer em sua face e acho que eu tremia mais que ele devido a isso. Coisas de adolescentes bobos. Mas não nego que posteriormente foi engraçado sentir toda aquela tensão por algo tão natural.
O bom de estar apaixonado é que todas as nossas forças redobram, mas nossos medos também. Ao mesmo tempo que estamos completamente seguros e auto-suficientes, estamos inseguros, frágeis e subestimados.
No começo tudo é lindo. Vemos flores onde só há terra, vemos borboletas coloridas voando no centro de São Paulo, vemos no outro qualidades inexistentes e ignoramos os defeitos. Qualquer demonstração de carinho arranca um suspiro, qualquer palavra ilude, qualquer sorriso momentâneo alegra a semana inteira.
E é nesse começo perfeito que criamos um vínculo poderoso com a pessoa pelo qual decidimos passar o resto da vida juntos. Um vínculo tão forte, mas que une por um fio tão delicado.
O R era puro mistério, pura inteligência, pura simpatia. E isso se mostrava maior a cada dia. Ele era encantador. Beleza física nunca teve extrema importância para mim. Mas a interior sim, e isso ele tinha de sobra.
Voltando à sala, ao pedido de namoro e o pontapé inicial. Minha mãe deixou nítido em seus olhos o desgosto pelo namoro, mas aceitou, obviamente, e nos deu vários conselhos, mas a única regra citada foi: Respeite minha filha e o resto estará tudo bem.
Após, saímos e ficamos conversando no portão de casa um pouco, não demoramos pois já era tarde. Eu estava explodindo de alegria, fiquei livre de restrições, poderia abraçá-lo e beijá-lo na rua, andar de mãos dadas com ele e gritar para o mundo que tinha como namorado o único cara que eu amei de verdade até então.
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